Postado em 24/07/2018 - Educação
Todos contra o bullying!!

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), de cada dez estudantes brasileiros, quatro já foram vítimas de violência física ou verbal nas escolas públicas brasileiras. Em 65% dos casos o agressor é um colega de sala.

Para combater essa violência entre alunos, chamada bullying, o Poder Judiciário apresentou às autoridades de Cidade Ocidental o projeto Todos Contra o Bullying, nesta segunda feira, dia 24. No salão da Secretaria de Educação e Desporto do município, reuniram-se os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, na pessoa do prefeito Fábio Corrêaa, além de professores e diretores de estabelecimentos de ensino municipais, particular e estatual, para discutir os rumos do projeto.

Conduzido pelo juiz da Vara de Infância e Juventude do município, dr. André Nakagami, a iniciativa tem o objetivo de criar núcleos de combate ao bullying nas escolas públicas para auxiliar no combate à prática do bullying e auxiliar no levantamento de números sobre esse tipo de violência.

De acordo com o magistrado, as escolas hoje, em todo o Brasil, são palco de um tipo sofisticado de violência, que atinge os alunos no lado psicológico muito mais do que no físico. De acordo com psicólogos, essas marcas podem durar a vida toda e até moldar a personalidade das vítimas.

Uma das principais dificuldades, porém, para o combate ao bullying está na falta de estatísticas que permitam traçar um perfil do agressor. O juiz Nakagami argumenta, no entanto, que já existe uma ideia sobre como nasce um bullying. “Normalmente esse aluno demonstra alguns traços, como o desrespeito à hierarquia da escola e a prática de violência já dentro de casa, contra os irmãos mais novos, por exemplo”.

Há também outros motivadores das agressões, aponta o magistrado. De acordo com pesquisa do próprio juiz, existem casos em que o agressor age para não se tornar vítima de outros colegas. Este ciclo é alimentado, segundo o juiz, por padrões da sociedade que são alimentados entre os alunos, como os relacionados à aparência física, força, comportamento e até mesmo raça e condição sexual.

 

NÚCLEOS

Nakagami acredita que a instalação de núcleos de acompanhamento nas escolas podem ajudar a coibir e entender melhor esse tipo de violência. De acordo com o projeto apresentado, esses núcleos serão formados por professores e terão o apoio do Pode Judiciário. “Na escola o professor tem o poder de criar regras. Deve haver uma mudança de cultura, como, por exemplo, parar de premiar qualidades físicas em contraponto a atitudes positivas, como solidariedade e respeito ao próximo”, diz o juiz.

Para ele, uma mudança de cultura entre os alunos é a principal arma para defender as vítimas dos agressores em potencial. “É claro que essa mudança pode levar décadas até acontecer, mas o primeiro passo já estamos dando”, admite.

Neste mesmo sentido age o Poder Executivo. As ações de Governo prezam sempre pelo que o prefeito Fábio Correa chama de a construção de um novo cidadão. Fincada desde o início desta gestão, a ideia é trabalhar a criança que será o cidadão e o político de amanhã com conceitos de amor à cidade e respeito aos semelhantes. “Nossa cidade por mudar a história sendo a primeira a testar esse programa, que tem tudo para ser um sucesso”, afirmou o prefeito.